23/11/2011
Fundo dos Correios tem ‘mico‘ de R$ 100 mi da CEF
Instituto Postalis cobra explicações da Caixa presidida por Jorge Hereda sobre venda de títulos chancelados como bons pelo banco e a auditoria KPMG, mas que estão ‘onerados‘ e não podem ser colocados no mercado; banco Multiplic está com o mesmo problema; mico pode somar R$ 1 bi
Os dirigentes do Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis) classificam como “muito estranha” a venda, pela Caixa Econômica Federal, de títulos imobiliários que foram apresentados como livre de ônus, mas que, na verdade, estavam onerados do FCVS (Fundo de Compensação sobre Variações Salarias). Documentos internos do banco indicam uma possível fraude de R$ 1 bilhão, que teria prejudicado diretamente o Postalis e o banqueiro Antônio José Carneiro, dona do Multiplic. O fundo de pensão responsável pelas aposentadorias de dezenas de milhares de funcionários dos Correios comprou cerca de R$ 100 milhões desses papéis da Caixa. Agora, está com o chamado Mico - a carta que ninguém quer -- na mão.
Os títulos foram vendidos pela CEF como sendo livres de ônus. Isso é o que garantia parecer da própria Caixa atestado pela empresa de auditoria KPMG, que classificou com “duplo A”. O Instituto Postalis comprou os títulos no final de 2008 e, em maio deste ano, detectou que os papéis estavam onerados e não podiam ter sido repassados a terceiros. Na prática, não valem nada. A Caixa foi comunicada e, desde então, promove processo administrativo interno para avaliar as responsabilidades sobre o caso para só depois se comunicar.
Detentor de 4.456 contratos de crédito imobiliário em títulos do FCVS desde 2009, o banqueiro Antônio José Carneiro, titular do Banco Multiplic, também se viu envolvido no mesmo problema em outubro e, como Brasil 247 noticiou em primeira mão, comunicou, por carta, o vice-presidente da Caixa Fábio Ferreira Cleto. O executivo repassou a questão internamente, informando diretamente o presidente Jorge Hereda sobre o caso. Em nota oficial, a Caixa confirmou a existência de uma apuração interna a respeito do problema.
O Postalis aguarda o posicionamento da Caixa para reagir e quer, no mínimo, os R$ 100 milhões de volta, com correção. O fundo de pensão não descarta entrar na justiça. Procurado por 247, o fundo respondeu por meio de nota oficial:
“O Postalis aguarda a manifestação da Caixa sobre o ocorrido para cobrar atitudes por parte dos responsáveis, no sentido de restabelecerem, no mínimo, o valor investido com a devida correção”, diz o instituto em nota. O banco Multiplica igualmente acena com a adoção de "todas as medidas legais e judiciais” em busca do ressarcimento para seus prejuízos.
FONTE: http://www.brasil247.com.br/pt/247/economia/25148/Fundo-dos-Correios-tem-%27mico%27-de-R$-100-mi-da-CEF.htm (18/11/2011)
COMENTÁRIO:
Vale lembrar que os Conselheiros eleitos pelos trabalhadores tomaram posse em janeiro de 2009 e esse investimento foi feito no fim de 2008.
Esse caso faz lembrar aquele outro investimento feito pelo Postalis no Banco Santos e que tomou prejuízo após a quebrada do referido Banco. Na época, houve muitas críticas e inclusive a informação publicada em jornal de que o Postalis estaria tendo prejuízo financeiro por insistir em recuperar, judicialmente, o dinheiro investido no Banco Santos.
Vale então perguntar:
-Se a Direção do Postalis tomou conhecimento desse "mico" em maio deste ano, por que somente 6 meses depois que a "bomba" estourou através da imprensa e os verdadeiros interessados não ficaram sabendo?
-Quanto tempo o Postalis irá esperar o posicionamento da Caixa para reagir?
-Quanto deu de retorno esse investimento durante esses quase dois anos e meio? Seria suficiente para cobrir despesas de uma provável ação judicial?
Os verdadeiros interessados, os trabalhadores, aguardam a palavra da Direção do Postalis.
Saudações,
James Magalhães
Secretário de Comunicação/Sintect-AL