23/03/2026
O SINTECT-AL manifesta seu total repúdio à proposta dos Correios de implantar a jornada de trabalho 12x36. A medida, apresentada como “modernização”, na prática representa um grave retrocesso nas condições de trabalho e um ataque direto à saúde, à segurança e aos direitos históricos da categoria.
A realidade do trabalho nos Correios, especialmente para os carteiros e carteiras, está longe de qualquer lógica que justifique jornadas exaustivas. Trata-se de uma atividade marcada por intenso esforço físico, longas caminhadas sob sol e chuva, exposição à violência urbana e pressão constante por metas. Ignorar essa realidade é demonstrar completo desrespeito com quem sustenta o funcionamento da empresa no dia a dia.
A imposição de 12 horas consecutivas de trabalho amplia brutalmente o desgaste físico e mental dos trabalhadores. Não há corpo que suporte, de forma saudável, uma jornada tão extensa nessas condições. O resultado previsível é o aumento de adoecimentos, afastamentos e o agravamento de lesões ocupacionais.
Além disso, a proposta coloca em risco a vida dos trabalhadores. A fadiga causada por longas jornadas reduz a atenção, aumenta o risco de acidentes de trabalho e de trânsito e expõe ainda mais os profissionais a situações perigosas. É inaceitável que a empresa avance com uma medida que pode custar vidas.
Outro impacto direto será na qualidade dos serviços prestados à população. Trabalhadores exaustos não conseguem manter o mesmo nível de eficiência, o que pode comprometer entregas, gerar atrasos e prejudicar toda a operação postal.
O SINTECT-AL também alerta que a jornada 12x36 abre caminho para a precarização das relações de trabalho, flexibilizando direitos duramente conquistados ao longo de décadas de luta. Não aceitaremos qualquer tentativa de desmontar garantias históricas da categoria sob o pretexto de “ajuste operacional”.
GRAVÍSSIMO: IMPOSIÇÃO SEM ANUÊNCIA DO TRABALHADOR
Um documento encaminhado à gestão dos Correios em Alagoas, que circulou amplamente nas redes sociais, escancara ainda mais a gravidade da situação. Ao afirmar que a adoção da jornada 12x36 ocorrerá por “critérios de conveniência administrativa e necessidade do serviço”, deixando claro que não dependerá da vontade do trabalhador, o presidente dos Correios Emmanoel Rondon, indicado pelo presidente Lula, assume uma postura autoritária e inaceitável.
Trata-se de uma tentativa absurda de impor uma mudança profunda na vida dos trabalhadores e trabalhadoras sem diálogo, sem negociação coletiva e sem qualquer respeito à individualidade e às condições de saúde de cada profissional.
Essa postura fere princípios básicos das relações de trabalho, desrespeita a negociação coletiva e ignora completamente o direito do trabalhador de decidir sobre um regime de jornada que impacta diretamente sua saúde, sua convivência familiar e sua qualidade de vida.
"Consideramos essa medida um verdadeiro abuso de poder do Presidente dos Correios Emmanoel Rondon, que transforma o trabalhador em mera peça de engrenagem, subordinada exclusivamente aos interesses administrativos da empresa", afirmou Alysson Guerreiro, presidente do Sintect-AL.
Diante desse cenário, o SINTECT-AL reforça para que nenhum trabalhador assine qualquer documento que altere a sua jornada de trabalho. Além disso, ressaltamos que a alteração de jornada quando forçada ou sem negociação coletiva, é mais um ataque aos direitos conquistados com muita luta pela classe trabalhadora.